ABRACE

jun 29 Violência é o maior problema para pais, alunos e professores da escola pública.

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Nem a falta de professores nem de estrutura. O que mais preocupa os pais, alunos e professores da escola pública do Estado de São Paulo é a falta de segurança. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo instituto Data Popular em parceria com o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp). De acordo com o estudo, 37% dos pais, 32% dos professores e 25% dos alunos acreditam que a violência é o maior problema da rede pública de ensino do Estado de São Paulo.

Entre os alunos, 70% afirmaram que a sua escola é violenta e 28% disseram já ter sofrido algum tipo de violência dentro da escola. Já entre os professores, 44% afirmaram já ter sido vítimas de algum tipo de violência dentro do âmbito escolar. Nesse cenário, a discriminação aparece como uma grande questão a ser resolvida. Mais da metade dos alunos, 51%, disseram já ter sofrido algum tipo de discriminação, sendo que a orientação sexual e a raça ou cor são apontados em primeiro e segundo lugar, respectivamente, como os principais motivos de discriminação, e, na sequência, origem nordestina e condição econômica.

Entre os professores, os motivos de discriminação são, primeiramente, também pela orientação sexual, em segundo lugar por raça / cor, em terceiro por gênero – no caso de professoras mulheres – e, em quarto, pela origem nordestina. O buraco na educação se reflete, inclusive, na hora de apontar os problemas desse setor. A discriminação, por si só, já é um símbolo da deseducação da sociedade.

Na sequência dos maiores problemas apontados pela comunidade escolar, aparece a polêmica progressão continuada, implementada há mais de dez anos no Estado de São Paulo e que consiste em não reprovar o aluno, ainda que ele tenha tido um rendimento insatisfatório naquele ano. Esse é o segundo maior problema da rede pública de acordo com os professores. Já os pais e alunos concordam que, seguida da violência, a falta de respeito dos alunos é o maior problema da escola pública.

A progressão continuada é reprovada por 63% dos professores, 75% dos alunos e 94% dos pais. Esse método pode ter grande influência em outro resultado: 46% dos alunos afirmaram já ter passado de ano sem ter aprendido a matéria.

“Sabemos que as questões que estão expostas na pesquisa existem, na realidade, há algum tempo”, diz a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha. “Mas dizer que metade dos alunos não estão aprendendo, significa falar em três milhões de alunos. É mais da metade do total de alunos da rede de ensino estadual de São Paulo. Isso é muito preocupante”, diz

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, respondeu à questão da progressão continuada afirmando que o modelo foi “aperfeiçoado” e que “as possibilidades de retenção foram ampliadas, permitindo que eventuais defasagens de conhecimento sejam corrigidas mais prematuramente”.

A baixa remuneração é outra questão que dá peso para a avaliação negativa da escola pública. Segundo a Apeoesp, o piso salarial dos professores do ensino estadual é de 2.422 reais mensais por 40 horas de trabalho por semana. Com essa receita, 55% dos professores afirmaram ter outros empregos. “A nossa luta é para que o piso seja elevado para 4.300 reais”, diz Noronha. Segundo a Secretaria de Educação paulista, o valor pago hoje é maior do que a média do país. “O valor do piso pago pelo Estado de São Paulo é 42% superior ao piso nacional”, afirmou, também por meio da assessoria de imprensa.

A pesquisa procurou saber também quais fatores implicariam em um aumento na qualidade na educação. A esta pergunta, a resposta obteve unanimidade: Pais (34%), alunos (40%) e professores (39%) acreditam que a qualificação e o preparo dos professores são os pontos cruciais para que a educação pública tenha mais qualidade.

Questionados sobre qual nota dariam para a escola pública no país, pais e alunos não deram mais do que nota 5, entre 0 e 10. “A escola que está aí na é convidativa para o aluno. Ele não tem vontade de ficar nela”, comenta Noronha. Embora 62% dos alunos tenham afirmado que gostam de ir à escola.

#campanha

Neste fim de semana, a Apeoesp vai lançar uma campanha com o objetivo de valorizar o professor e fomentar o debate sobre a educação do Estado de São Paulo. “Queremos denunciar as condições de trabalho dos professores e mostrar que a melhora da escola pública passa, necessariamente, pela valorização do professor, conforme apontaram os alunos e os próprios professores na pesquisa”, diz Noronha, sobre a campanha batizada de #SouMaisMinhaProfessora.

Fonte: http://brasil.elpais.com/

jun 17 Abrace lança livro para Ensino Médio. “Bullying, Ética e Direitos Humanos” faz parte do Projeto Escola Sem Bullying®.

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O Livro “Bullying, Ética e Direitos Humanos” do Projeto Escola Sem Bullying® da Abrace – Programas Preventivos é destaque para o Ensino Médio na conscientização do bullying.

O livro foi desenvolvido pelo Filósofo, Pedagogo e especialista em Direitos Humanos Benjamim Horta, e o Advogado Euclides Vargas, a fim de abordar os aspectos filosóficos, éticos e de relações humanas, além do Guia Jurídico sobre bullying e suas implicações legais.

Falar a respeito o bullying escolar para o Ensino Médio é muito mais que conscientizar os alunos sobre a problemática. É preciso desconstruir o tema com o objetivo de levantar questões que dizem respeito não somente ao que é certo e errado, mas sim ao que é ético, moral, e de como estas questões podem nos ajudar a criar uma consciência humana em relação aos comportamentos aplicados em sociedade, e assim, um futuro consciente e de pessoas saudáveis emocionalmente.

O livro que possui 232 páginas explica o bullying escolar de forma clara, objetiva e aborda sinais perceptíveis àqueles que são vítimas, espectadores e agressores. A obra ainda instrui cada um dos públicos em como agir diante deste problema, além de dicas, sinais de alerta e uma abordagem pedagógica, leve, e instrutiva sobre o bullying. Definições sobre ética e moral são também são abordadas, e indicam um novo modo de pensar a respeito das relações do dia-a-dia, trazendo à tona oportunidades de reflexão diante de um assunto tão sério e de graves consequências.

A obra destaca um Guia jurídico sobre o bullying e suas implicações legais, e informa sobre os procedimentos quanto a recente questão da Lei 13.185 – Programa de Combate à Intimidação Sistemática Bullying, além de todos os outros aspectos do ordenamento jurídico brasileiro sobre este tema, incluindo Estatuto da Criança e do Adolescente, o bullying e as infrações criminais do direito comum e na legislação especial, responsabilidade das instituições e pessoas envolvidas no bullying, entre outros.

Sobre o bullying


O bullying não diz respeito somente à agressão física – 89% dos alunos entrevistados em pesquisa da Abrace – Programas Preventivos, por exemplo, acham que apelidos pejorativos não caracterizam bullying. Na verdade, o fenômeno é um conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos, praticados por um ou mais alunos contra um outro, dentro de uma relação desigual de poder ou força física.

Este tipo de violência traz diversos problemas para os jovens, comprometendo seu desenvolvimento biopsicossocial. Dor, angústia, sofrimento, insegurança e desequilíbrio psicológico são algumas das consequências, afetando diretamente o processo de ensino e aprendizagem.

Conscientizar, prevenir e apoiar: as diversas frentes do Projeto Escola Sem Bullying®

 

O combate ao bullying escolar envolve várias frentes de ação. Por isso a Abrace Programas Preventivos criou o Projeto“Escola Sem Bullying®”, um projeto interdisciplinar que conta com pesquisas, cursos de capacitação, palestras, planos de aula, livros paradidáticos, políticas pedagógicas de prevenção, aplicativo para combate ao cyberbullying e apoio na intervenção e mediação de casos de bullying. É um programa completo que oferece todo o suporte às escolas para que o bullying se transforme em uma página virada na vida de alunos e professores.

Benjamim Horta, diretor da Abrace Programas Preventivos, destaca que o programa conta com uma importante análise de resultados: “após o Escola Sem Bullying, 98% dos alunos contam que se sentiram mais à vontade para denunciar agressões. Os professores também apontam maior interesse e motivação dos alunos depois da inserção de práticas de prevenção no dia a dia”, relata. “Nós promovemos a transformação do ambiente escolar. Não queremos apenas aplicar o projeto, queremos instaurar uma cultura de paz, reduzindo os índices de bullying nas instituições, auxiliando alunos e educadores”, reforça Benjamim, que finaliza com um dado muito positivo: “94% das crianças e adolescentes que participaram do programa não sofrem mais bullying na escola”.

Autores:

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Benjamim é filósofo e pedagogo especializado em Filosofia e Direitos Humanos, e estudante contínuo de psicanálise, uma de suas maiores paixões.
Começou a trabalhar na área de educação ainda na Inglaterra onde morou durante 4 anos desenvolvendo projetos para a melhoria de habilidades sociais entre crianças e adolescentes. É Diretor da Abrace – Programas Preventivos.

 

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Advogado há mais de 30 anos, Euclides é apaixonado pelo meio ambiente e por causas humanitárias. Trabalhou durante muitos anos em prol do desenvolvimento sustentável, na implementação de planos e programas sócio ambientais e patrimoniais. É especializado em Direito sócio ambiental, Auditoria ambiental, Direito empresarial e Direitos imobiliário.

jun 10 Afeto e atenção são fundamentais para desenvolvimento das crianças, dizem estudos.

Uma cestinha pendurada na porta do quarto de Davi , de 4 anos, dá o recado: ali não entra celular. Colocar o objeto na maçaneta foi a ideia da mãe, a advogada Manoela Gambardella, para lembrar de guardar o telefone sempre que for brincar — uma estratégia para que sua atenção esteja totalmente voltada para o filho. A prática, segundo duas pesquisas publicadas este mês, pode render mais que momentos preciosos em família. Um estudo feito pela Universidade de Indiana, nos EUA, mostrou que pais que se distraem com outras coisas enquanto brincam com os filhos podem gerar prejuízos cognitivos nos pequenos. Outro relatório da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington revelou ainda que o afeto das mães pode fazer o cérebro da criança se desenvolver mais rapidamente.
A participação efetiva dos responsáveis na criação dos filhos está diretamente relacionada ao desenvolvimento das crianças. E o assunto está entre os temas em debate no evento “Educação 360 Infância”, que acontece no dia 30 de junho, no Museu do Amanhã, no Rio, e é uma realização do jornal O GLOBO e “Extra”, em parceria com a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, com o Banco Mundial, o BID e a Fundação Lemman. O seminário tem ainda o apoio da TV Globo e do Canal Futura.

 

TESTE DE DISTRAÇÃO

Publicado na revista científica “Currently Biology”, o estudo dos pesquisadores de Indiana observou as brincadeiras de 36 pais e seus filhos de 1 ano de idade para entender se a falta de atenção dos responsáveis poderia fazer com que os pequenos também se tornassem desatentos. Durante a análise, os pesquisadores constataram que os pais que se distraíam com outras coisas enquanto brincavam com os filhos causavam perda de atenção nas crianças.

— É sabido que a capacidade das crianças de manter atenção é um forte indicador de sucesso posterior em áreas como aquisição de linguagem e resolução de problemas. Cuidadores cujos olhos vagueiam enquanto as crianças brincam parecem ter um impacto negativo sobre a atenção dos bebês — explica Chen Yu, psiquiatra e principal autora da pesquisa de Indiana.

Durante o estudo, parte dos pais direcionou os filhos a pegar determinados brinquedos, restringindo o direito de escolha da criança, enquanto outros deram suporte e atenção às crianças a partir do objeto escolhido por elas, o que contribuiu para aumentar a concentração. Os testes mostraram que quando pais e bebês prestavam atenção em um determinado brinquedo por mais de 3,6 segundos, as crianças continuavam olhando para o mesmo objeto por mais 2,6 segundos depois que os cuidadores dispersavam. Esse tempo é quatro vezes maior que o dos bebês cujos responsáveis se distraíam.

— Tudo que aprendemos nos dois primeiros anos da vida é feito com os pais, então o cérebro se acostuma a usar os pais como referência de tudo. Se o pai muda o comportamento, a criança também pode mudar — explica o psiquiatra da infância e adolescência Caio Abujadi.

Em meio a uma rotina caótica de trabalho, Manoela, que admite ser “viciada em celular”, conta que passou a se policiar para aproveitar melhor o tempo com o filho:

— Resolvo minha vida toda por celular, é um exercício me desligar. Para entrar no mundinho dele, eu deixo minhas preocupações do lado de fora.

A empresária Waleska Lopes, mãe de Miguel, de 2 anos, também adota a prática de dedicar atenção exclusiva ao filho:

— Não fico com ele o tempo que desejo, mas compenso dando total atenção. Não tem como mexer no celular com aquela fofura do lado.

CÉREBRO DE INICIANTE

Além da assistência, o amor das mães traz um ganho extra para Davi e Miguel. Uma análise de 127 crianças feita por pesquisadores da Universidade de Washington observou que uma parte importante do cérebro se desenvolve até duas vezes mais rápido naqueles que têm mães afetuosas, principalmente nos seis primeiros anos de vida da criança.

— Acreditamos que isso se deve à maior plasticidade cerebral quando a criança é menor, o que significa que o cérebro é afetado mais fortemente por experiências no começo da vida — explica a psiquiatra Joan Luby.

Como método, os pesquisadores filmaram a mãe durante uma tarefa estressante, ao mesmo tempo em que precisava monitorar o filho — que, para compor o cenário, recebeu um presente que não poderia abrir imediatamente. As mães que mantiveram o controle concluindo sua tarefa e dando assistência ao filho foram consideradas mais afetuosas.

O crescimento do hipocampo — área do cérebro relacionada à memória, aprendizado e controle das emoções — das crianças também foi monitorado por meio de ressonâncias magnéticas periódicas, desde sua vida pré-escolar até a adolescência. A conclusão da pesquisa foi que o apoio emocional na infância contribui para melhor desempenho escolar e maior êxito na vida adulta.

— O desenvolvimento infantil depende de fatores genéticos e ambientais. O que os trabalhos não dizem é se esse tipo de interação inadequada pode levar a um comprometimento grave — observa o neuropediatra Clay Brites, professor da Unicamp.

Fonte: O Globo.